A Casa da Vovó Anita tem, na abertura do seu primeiro livro de visitantes, um pequeno trecho que define bem o significado da criação da obra:

 

a consisa manifestação da sua impressão ou a simples assinatura são mais um incentivo à acrescentar ao nosso entusiasmo dedicado à nossa obra, a qual deixa de ser “nossa”, no sentido restritivo do grupo, para ser “nossa” no sentido lato da Pátria” 


Dona Ana, portuguesa de Castro D'Aire, chegou em Santos com oito anos de idade e aqui viveu durante setenta e sete anos. Conheceu José Ribeiro dos Santos, um português de Soure, com quem se casou. Desta união nasceram doze filhos, e quando a Vovó Anita faleceu, em novembro de 1954, aos oitenta e cinco anos, deixou oitenta e cinco descendentes, que atualmente são mais de duzentos, incluindo netos e bisnetos.

Uma mulher que dedicara em vida tanto amor aos seus, jamais poderia ser esquecida. Assim, no dia 10 de abril de 1955 nasceu a iniciativa para a criação de uma obra beneficente em homenagem à Vovó Anita, nascida Ana da Rocha Ribeiro dos Santos, em 10 de abril de 1869 e falecida em 16 de novembro de 1954.

O idealizador, Américo Ribeiro dos Santos, filho mais novo da Vovó Anita, reuniu entre filhos, netos, genros, noras, bisnetos, sobrinhos e amigos, 52 pessoas que testemunharam a criação de uma entidade denominada “CASA DA VOVÓ ANITA”. Assim, em 10 de abril de 1967 foi iniciada a construção com a simples retirada de uma telha da velha casa. Do cima da escada de pedreiro, quando retirava a telha, o senhor Américo disse para os presentes:

estou começando a construir a CASA DA VOVÓ ANITA 

Construída em estilo colonial num terreno com cerca de 450 m 2 , antiga chácara da Vovó Anita, onde a criançada da família se divertia especialmente nos fins de semana, mantém ainda os dois enormes chapéus-de-sol, na frente do edifício, como nos tempos da saudosa senhora.

Situada em plena praia do Embaré, Av. Bartolomeu de Gusmão nº 48, bem em frente ao mar, a Casa é dividida em dois amplos blocos. No primeiro bloco, no andar térreo está o salão nobre, secretaria com banheiros (feminino e masculino), tesouraria e arquivo, que funciona também como casa de som.

No primeiro andar está instalado o auditório com 154 cadeiras do tipo escolar, palco, dois camarins e banheiros para artistas e público. Possui ainda um televisor colorido. No local podem, conforme as conveniências, fazer trabalhos escolares, assistir televisão ou fazer brincadeiras teatrais.

No segundo andar fica o paraíso da molecada. Um salão com brinquedos de toda a espécie e biblioteca. No segundo bloco tem dois amplos refeitórios e cozinha industrial, dois pátios com banheiros, dependências para guardar alimentos e material de limpeza, na parte térrea. No primeiro andar fica a sala de costura, dois dormitórios com 52 camas cada e dois banheiros com sanitários e chuveiros de água quente e fria. Tem também dois quartos com 04 camas e banheiros privativos. Funciona também neste andar, uma lavanderia industrial para atender a demanda diária das roupas de cerca de 120 pessoas, além da roupa de uso nos dormitórios, cozinha, etc.

Foram inauguradas as instalações em 15 de agosto de 1972 com a presença de familiares, várias autoridades e do Bispo Diocesano. As crianças do Instituto de Surdos-mudos Santa Terezinha de São Paulo foram os primeiros hóspedes que a Casa recebeu e, até a presente data, já gozaram de excelentes férias junto ao mar mais de quarenta mil crianças assistidas por cerca de 1200 entidades e 50.000 crianças, conforme consta em nossos registros.

O Senhor Américo Ribeiro dos Santos, criador desta extraordinária obra, faleceu em 19 de março de 1983, e, a partir desta data sua esposa Maria Stella Mendonça Ribeiro dos Santos , filhos e netos dão continuidade à obra.    

Como é bom ver uma criança sorrir...
Sem fome, Sem frio, Sem dor.
Sorrir ao sentir o nosso amor.